terça-feira, 16 de abril de 2013

Curitiba perde em aproveitamento das tecnologias no transporte alternativo

O uso dos modais como bicicleta elétrica e segways são servidos de fonte de energia limpa e não têm a intenção de tirar o prazer do exercício de andar ou pedalar.

Assim como o uso da bicicleta comum e as caminhadas podem ser maneiras eficientes de reduzir a emissão de gás carbônico, a bicicleta elétrica e os segways são modais que quando em uso não são poluentes, porém não tão comuns. A dúvida é: os meios elétricos têm o mesmo impacto e são mais práticos do que os modais comuns? E em Curitiba porque os segways não são vistos com frequência ou até mesmo a bicicleta elétrica? 

Para quem não conhece, o segway é uma espécie de patinete elétrico que funciona com o auto equilíbrio e propulsão humana. Para andar, basta impulsionar para frente e, para frear, basta deixar as costas eretas. Nas bicicletas elétricas, há a opção de pedalar ou não, sendo que o pedal tem a ajuda de um motor elétrico mas nem por isso necessita reduzir o esforço muscular se a pessoa optar por isto. 

O segway pode ser encontrado em sites de venda com preços que variam de R$4.800 a R$20.000. De acordo com Adriano Souza, representante de marketing da Segway Brasil, a empresa que é a única autorizada no Brasil o segway é voltado para locação devido ao preço, mas nada impede a sua compra por unidade, o valor gira em torno de R$ 25.840,00 dependendo do modelo. 

No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, a Guarda Municipal já os utiliza. Mesmo assim, o preço ainda não é acessível se pensarmos na classe média que hoje é 54% da população do país segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). Estima-se que o custo da importação aumente em 101% o preço do produto. Isso sem contar com as calçadas de Curitiba que hoje não estão adequadas para o aproveitamento deste aparelho. 


O CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito) por meio da Resolução 375, autorizou-os a serem usados nas calçadas desde que não ultrapassem 6 km/h ou ciclovias desde que não ultrapassem os 20km/h. Segundo proposta enviada pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) para o DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito), para o uso destes modais devem ser exigidos que possuam freio e buzina ou campainha, além de sinalização luminosa dianteira e traseira. 

Diogo Quignalia Silva, eletricista e estudante de gestão ambiental, defende o uso da sua bicicleta comum. “Particularmente não trocaria a minha por uma elétrica. A bike elétrica é mais pesada, mais cara, tem um custo de manutenção mais alto, e se é pra ter uma bike que não precisa pedalar prefiro uma moto”. A maior crítica à bicicleta elétrica é mesmo o incentivo ao sedentarismo. Para alguns, perde-se a essência da ideia original da bicicleta, o condicionamento físico é deixada de lado. 

O mercado para a bicicleta elétrica é promissor. É uma ótima opção para quem não troca seus veículos motorizados pelo esforço de pedalar, que não podem pedalar ou até mesmo para aqueles que utilizam a bicicleta comum, porém gostariam de mais facilidade e praticidade. O diretor-presidente da ABVE, Pietro Erber afirma esse crescimento. “Desde que o Brasil começou a comercializar esses produtos a Associação estima que tenham sido vendidas entre cinco e 15 mil bicicletas elétricas” 

Pita Braga Côrtes, economista, faz uso da bicicleta elétrica. “Tenho 60 anos de idade e não sou atleta, e só me adapto a uma bike se for elétrica, porque me ajuda nas ladeiras. A bike elétrica também exige o pedalar. Não é uma moto e está longe de ser.” Pita não concorda com os ciclistas que impõe restrições às bicicletas elétricas. “Queria que os jovens que utilizam a bicicleta comum não pensassem egocentricamente, mas sim nas senhoras, senhores, idosos, que estão para absorver esta genial tecnologia.“ 

O segway chega a representar uma redução entre 71 e 93% de emissões de gás carbônico, em comparação com qualquer veículo motorizado e pode ser 9 vezes mais ágil que uma pessoa caminhando. A utilização desses modais como meio alternativo de transporte tem impacto ambiental extremamente reduzido, é importante rever o uso deles na sociedade atual.

Ciclista seguro é ciclista equipado

O gasto com trocas ou acessórios são despesas muitas vezes inesperada para quem quer entrar nessa onda “cicloativista”, porém necessárias. Lillian Speltz, supervisora de qualidade e meio ambiente, ciclista assumida há menos de um ano, trocou de bicicleta ainda este ano e explica que trocou a antiga por uma com freio a disco devido aos passeios que deseja fazer, como descer a serra.

Para o Setran (Secretária Municipal de Trânsito) a bicicleta é considerada um meio de transporte e a orientação é para que os ciclistas respeitem as leis de trânsito como os veículos, não parando em cima das faixas, como a dos pedestres. Quando não houver orientação de ciclofaixas, o ciclista deve pedalar do lado direito, perto do meio fio, assim ele deverá ser respeitado pelo motorista. Assim como na calçada o ciclista passa a ser pedestre e deve empurrar sua bicicleta. 

Lillian conta que ainda não utiliza os devidos equipamentos. “Sei que um dos itens obrigatórios é o retrovisor e até comentei com meu marido para comprarmos, só que ficamos com vergonha por que aqui em Curitiba e no nosso grupo de amigos ciclistas, quase não vemos ninguém usando, então acabamos adiantando a compra desse item. Mas é muito importante estar bem equipado na hora de sair de bicicleta, afinal os equipamentos e nossa prudência são nossa única segurança. ” 

Cícero da Silva, coordenador de veículos do Detran diz que os equipamentos obrigatórios para ciclistas são campainha, sinalização noturna branca e amarela, na traseira vermelha, na lateral e nos pedais podem ser de qualquer cor desde que sinalizadas. E o espelho retrovisor fixo do lado esquerdo. Para ele pedalar defensivamente somado ao uso dos equipamentos previne em grande parte acidentes graves. 


Segundo a Assessoria de Imprensa do Setran, hoje possuímos em média cerca de 110 km de ciclovia e um dos planos cicloviarios é aumentar para um total de 400km a longo dos anos. Como incentivo ao uso das ciclovias a prefeitura organiza toda semana o passeio Pedala Curitiba, onde comparecem uma média de 200 á 300 ciclistas, inclusive no ano passado esse número bateu o recorde de 412 ciclistas que saíram Largo da Ordem guiados por agentes do Setran com motos e bicicletas e da Secretaria do Esporte e Lazer. Para que essa e outras iniciativas dêem certo ou impulsionem projetos que ainda não saíram do papel, o ciclista deve fazer sua parte também, conscientizar a sociedade de dentro pra fora.

O Discurso do Rei

Em Discurso do Rei é retratada a luta do rei George VI para superar um grande problema de comunicação: a gagueira. Numa época de incertezas e mudanças é mostrada a amizade e a busca pela segurança entre a Família Real e os súditos. Isso tudo tem início quando o príncipe Albert que é gago precisa liderar a nação diante a descrença nele. 

O figurino do filme já remete ao tempo em que se passou a história e a história no cenário inglês se passa entrelaçando momentos da vida pública do príncipe com momentos pessoais como as conversas com seu súdito australiano. É retratado também sua descrença e instabilidade de humor que demonstra seu cansaço em ter que lidar com a situação, sendo humilhado por seus familiares e não tendo melhoras nos tratamentos pelos quais passou.

O Discurso do Rei mostra diferentemente de outras grandes produções indicadas ao Oscar o sofrimento de George VI, que precisa cumprir o papel designado a ele, ser uma pessoa desprovida de privacidade. É um filme minimalista que expõe que na realidade os grandes ídolos, líderes e mestres que formam os rumos da história, são e sempre vão ser pessoas normais e com defeitos como qualquer outro ser humano.

É uma história comovente e interessante, foge de estereótipos dos filmes da realeza que tratam de fortunas e luxos, mas sim de exemplos das situações constrangedoras que estes nobres enfrentam. O Príncipe Albert começou sozinho, enfrentando seus medos, mas terminou coroado e acompanhado por um amigo.

A relação deste filme com o rádio se dá quando no natal o Rei, pai de Albert faz o discurso e demonstra a importância da interação que o rádio proporcionaria nas casas que alcançasse e o quanto isto faria diferença. Então o microfone se torna peça essencial no reinado de George VI.

A melhor cena é quando o rei assiste a um telejornal e se encanta pelo modo como Hitler fala e age. Ele comenta não saber ao certo sobre o que ele fala, mas gosta. Para mim foi a melhor porque é a partir desse momento que o rei George V percebe a força que o rádio terá em mobilizar multidões e como seria bom para George VI pois se ele não gaguejaria mais e consequentemente passaria confiança. O filme não deixa a desejar em nada, figurino, história e desenvolvimento.



Ser ou não ser

O dedo desliga o despertador e lá estou eu sonhando de novo, ou não, será que realmente ele tocou, já é dia lá fora e em menos de 20 minutos tenho que estar pronta? Sim, começou um novo dia, e é sempre aquela correria, levanto, me arrumo, saio às pressas, por vezes com um lanchinho preparado pela mãe, por outras com um vazio no estômago. Como sempre, ao entrar no carro começam as lembranças do porque este não é um novo dia tão novo assim. Os sentimentos ainda são os mesmo de ontem, o trabalho é o mesmo, as pessoas são as mesmas, às vezes com outros humores, mais ainda são as mesmas. 

Toda aquela parafernália que prometi arrumar em minha mesa se encontra lá, o livro ainda está ali para ser lido e o coração, a o coração, esse ainda está aqui, esperando receber um reconhecimento ou qualquer coisa em troca do que tem feito todo esse tempo. O sentimento de não merecimento é contagiante. Porque a partir do momento em que você decide que não merece uma coisa, você já não precisa mais dispensar esforços por aquilo. Se você acha que não merece, só lhe resta cruzar os braços e ver a vida passar o que, convenhamos, é muito, muito fácil. Sempre caí nas armadilhas do não merecimento, por esperar a chance de quem alguém me fizesse feliz. 


Mas me pergunto: por que eu não mereço tal felicidade? E a moral da história é que decidi que mereço sim, que vou atrás, afinal somos do tamanho daquilo que vemos e não do tamanho da nossa altura. Decidi que mereço por que já passei por maus bocados entregando minha confiança a quem não merecia sequer minha atenção. Mereço por todas as noites que chorei. E por todos os dias que sorri só para não incomodar ninguém. Mereço porque, mesmo não sendo muito inteligente, mesmo não sendo muito bonita, sou muito boa. Tenho um coração do tamanho do mundo, sou generosa e respeito as pessoas. Nunca incomodo ninguém. Mereço porque nunca traí, porque não consigo esconder o que penso ou sinto. Mereço porque faço a minha parte e tenho ido atrás do que eu quero sem deixar ninguém caído pelo caminho. E mesmo que tudo o que eu disse acima fosse mentira, eu ainda assim mereceria. Todo mundo merece uma segunda chance. Sou capaz de ter uma felicidade que dura. E, mais que capaz, sou merecedora.

O que está mudando na sociedade e o que não muda no ser humano

Tudo está rodando a uma velocidade enorme na cidade grande, as tecnologias mudam a interação com a realidade, o celular, a internet eram desconhecidos a pouco tempo, neste momento tornam-se objeto de consumo, com isso cria-se novos acessos de comunicação, e com isso uma dependência cada dia maior do ser humano destas coisas. O saber trabalhar em grupo e ter um aprendizado novo também se encaixam nestas mudanças. 

Aumentam cada vez mais a exigência por mídias compatíveis, integradas, interativas, de acesso instantâneo a qualquer hora, em qualquer lugar, conectar-se com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo deixou de ser uma exceção para começar a tornar-se corriqueiro. Não basta mais escrever bons textos, eles têm de ser acompanhados com imagens, sons tudo com flexibilidade, interatividade. 

Mas o que não mudou no ser humano é a busca pelo prazer, a vontade de ser feliz, ter conforto, de se desenvolver e ser reconhecido, ter lazer, mesmo que incorporando essa competição do mundo atual das tecnologias, o ser humano ainda busca como objetivo as mesmas coisas de antes. Basta saber se adequar para interagir com essas mudanças e não perder o foco.


Resident Evil e a Cultura da Convergência - Parte IV

Como dito no último post surgiram também os hq’s com o a primeira série, que foram lançados entre 1998 e 1999 pela DC / Wildstorm Comics. Contava com 16 histórias, sendo algumas inspiradas nos games da série e outras inéditas. No final de 1999, as histórias foram republicadas em uma edição de luxo. A segunda série de gibis se passava em um futuro próximo a série de games, quando incidentes isolados com o T-Virus ainda acontecem ao redor do mundo. Ficou dividida em quatro edições e foi lançada entre 2000 e 2001. E em março de 2009, foi iniciada uma série de seis gibis inspirados em Resident Evil 5, dessa vez sem relação alguma com o game. A partir da terceira edição, o brasileiro Jheremy Raapack assumiu o traço da publicação.




Não podemos deixar de citar os fanfic (ficção criada por fãs). Neste site http://animespirit.com.br/fanfics/games/resident-evil podemos encontrar contos que vão desde amor pelo T-Vírus quanto a personagens que viraram governadores aqui em São Paulo em meio a devastação do vírus. Essa interação só aumenta a popularidade e conteúdo da série.

Mas e os tão conhecidos filmes da série surgem quando? Todo o enredo que compreende os jogos, os livros e o filme são complementares e nunca meras adaptações. A história foi aproveitada para 4 adaptações no cinema que não seguem fielmente o enredo dos jogos. Mas um longa-metragem em animação, o Resident Evil Degeneration, teve como intenção linkar dois jogos e restabelecer alguma ordem à lógica da trama original no cinema.

Podemos perceber a ligação com a cultura da convergência na franquia com a citação do criador da série: “Quando comecei, era preciso elaborar uma história, porque, sem uma boa história, não havia um filme de verdade. Depois, quando as sequências começaram a decolar, era preciso elaborar um personagem, porque um bom personagem poderia sustentar múltiplas histórias. Hoje, é preciso elaborar um universo, porque um universo pode sustentar múltiplos personagens e múltiplas histórias, em múltiplas mídias”. 

Resident Evil deixa de ser então apenas um jogo, livro ou um filme bem escrito e dirigido. É bem maior do que um simples conto, porque há várias maneiras de explorar e entrar na história. Tornou-se então um conjunto com participações relevantes de cada cruzamento de mídia que o integrou. E assim termina essa avaliação sobre as plataformas utilizadas por essa saga que continua até hoje na casa de diversas pessoas.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Resident Evil e a Cultura da Convergência - Parte III

Como prometido neste post temos a explicação da fragmentação deste fenômeno em diversas plataformas. Algumas das versões do game só podem ser jogadas em um console específico, o que dificulta a apreensão de toda a história em apenas uma plataforma. O jogador curioso, ansioso pela franquia terá então que se desdobrar e pular de Playstation para Playstation 2, de Wii para Playstation 3, etc.

"Como Pool previu, estamos numa era de transição midiática, marcada por decisões táticas e conseqüências inesperadas, sinais confusos e interesses conflitantes e, acima de tudo, direções imprecisas e resultados imprevisíveis." O que começou com o jogo, da forma mais inesperada, ao contrário do que acontece normalmente, começa com livro e depois vira filme e games, a ideia é lançada em outra plataforma. 

Há então uma fragmentação das mídias em si. Surge em 1998 o primeiro livro: Resident Evil: The Umbrella Conspiracy. Escrita por S.D. Perry a primeira versão nacional da novelização do primeiro game da série faz alusão à versão original da revista de George Trevor, True Story Behind Biohazard, assim como a um conto Biohazard: The Beginning. Nesse momento, o livro que foi escrito um pouco antes da 3 versão do game, nota-se a cultura da convergência de Jerkins, onde o conteúdo se adapta de acordo com a plataforma na qual está inserida.

Muitos dos elementos que foram apresentados no primeiro jogo necessitam de explicações. Os detalhes omitidos nessa primeira edição do jogo só serão desvendados aqui no Brasil quando traduzidos por fãs para o português e disponibilizados na internet. Mas uma vez a audiência têm participação efetiva e cria relação com a mídia para a adaptação dessa narrativa. Os principais livros da série são: Umbrella Conspiracy - 1998, Caliban Cove -1998, City of the Dead -1999,Underworld -1999, Nemesis -2000, Code: Veronica -2001, Zero Hour -2004 dentre outros.

Imagem: http://toysd.com.br/site

Um dos livros lançados é o Biohazard Catalysis que foi lançado apenas no Japão. É um artbook que contém ilustrações dos principais personagens do período entre Resident Evil Ø e CODE: Veronica, além de alguns poucos monstros. O grande destaque da publicação, porém, é o DVD que a acompanha, com um resumo total dos acontecimentos pré-RE4, perfis dos personagens e trailers de todos os games anteriores. Assim como o Biohazard Incubate foi lançado em 2006, somente no Japão, com o mesmo formato.

Como afirma o autor Jerkins, esta relação entre as novas mídias e a cultura pop caracterizam o nosso tempo contemporâneo. O excesso de informação aumenta a cultura participativa, porque surge a possibilidade de várias versões da história vindas de diferente produtores/ consumidores. Com isso surgem também com base na franquia, os blogs de discussão dos jogos e tradução dos livros como o http://residentevil.com.br/site/revilcast que contém podcasts dos fãs e jogadores e até uma linha do tempo sobre o game. 

Fique atento porque em breve teremos a última parte dessa série sobre o Resident Evil, contando um pouco sobre os hq's e fanfics.