Assim como o uso da bicicleta comum e as caminhadas podem ser maneiras eficientes de reduzir a emissão de gás carbônico, a bicicleta elétrica e os segways são modais que quando em uso não são poluentes, porém não tão comuns. A dúvida é: os meios elétricos têm o mesmo impacto e são mais práticos do que os modais comuns? E em Curitiba porque os segways não são vistos com frequência ou até mesmo a bicicleta elétrica?
Para quem não conhece, o segway é uma espécie de patinete elétrico que funciona com o auto equilíbrio e propulsão humana. Para andar, basta impulsionar para frente e, para frear, basta deixar as costas eretas. Nas bicicletas elétricas, há a opção de pedalar ou não, sendo que o pedal tem a ajuda de um motor elétrico mas nem por isso necessita reduzir o esforço muscular se a pessoa optar por isto.
O segway pode ser encontrado em sites de venda com preços que variam de R$4.800 a R$20.000. De acordo com Adriano Souza, representante de marketing da Segway Brasil, a empresa que é a única autorizada no Brasil o segway é voltado para locação devido ao preço, mas nada impede a sua compra por unidade, o valor gira em torno de R$ 25.840,00 dependendo do modelo.
No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, a Guarda Municipal já os utiliza. Mesmo assim, o preço ainda não é acessível se pensarmos na classe média que hoje é 54% da população do país segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). Estima-se que o custo da importação aumente em 101% o preço do produto. Isso sem contar com as calçadas de Curitiba que hoje não estão adequadas para o aproveitamento deste aparelho.
O CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito) por meio da Resolução 375, autorizou-os a serem usados nas calçadas desde que não ultrapassem 6 km/h ou ciclovias desde que não ultrapassem os 20km/h. Segundo proposta enviada pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) para o DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito), para o uso destes modais devem ser exigidos que possuam freio e buzina ou campainha, além de sinalização luminosa dianteira e traseira.
Diogo Quignalia Silva, eletricista e estudante de gestão ambiental, defende o uso da sua bicicleta comum. “Particularmente não trocaria a minha por uma elétrica. A bike elétrica é mais pesada, mais cara, tem um custo de manutenção mais alto, e se é pra ter uma bike que não precisa pedalar prefiro uma moto”. A maior crítica à bicicleta elétrica é mesmo o incentivo ao sedentarismo. Para alguns, perde-se a essência da ideia original da bicicleta, o condicionamento físico é deixada de lado.
O mercado para a bicicleta elétrica é promissor. É uma ótima opção para quem não troca seus veículos motorizados pelo esforço de pedalar, que não podem pedalar ou até mesmo para aqueles que utilizam a bicicleta comum, porém gostariam de mais facilidade e praticidade. O diretor-presidente da ABVE, Pietro Erber afirma esse crescimento. “Desde que o Brasil começou a comercializar esses produtos a Associação estima que tenham sido vendidas entre cinco e 15 mil bicicletas elétricas”
Pita Braga Côrtes, economista, faz uso da bicicleta elétrica. “Tenho 60 anos de idade e não sou atleta, e só me adapto a uma bike se for elétrica, porque me ajuda nas ladeiras. A bike elétrica também exige o pedalar. Não é uma moto e está longe de ser.” Pita não concorda com os ciclistas que impõe restrições às bicicletas elétricas. “Queria que os jovens que utilizam a bicicleta comum não pensassem egocentricamente, mas sim nas senhoras, senhores, idosos, que estão para absorver esta genial tecnologia.“
O segway chega a representar uma redução entre 71 e 93% de emissões de gás carbônico, em comparação com qualquer veículo motorizado e pode ser 9 vezes mais ágil que uma pessoa caminhando. A utilização desses modais como meio alternativo de transporte tem impacto ambiental extremamente reduzido, é importante rever o uso deles na sociedade atual.



